Este é um novo conceito de treinamento que envolve as características pessoais do aprendiz junto de suas atividades cotidianas, seja ele um atleta ou não. No treinamento funcional utilizam-se não só exercícios já conhecidos, mas também implementos e exercícios desenvolvidos especialmente dentro desta nova proposta, que valoriza muito a especificidade e todos os conceitos do treinamento desportivo.


O aluno ou atleta que se beneficia utilizando esse sistema de treinamento desenvolve não só as capacidades físicas (força, flexibilidade, agilidade, resistência), mas também melhora o tempo de reação e adquire uma resposta proprioceptiva muito significativa. Propriocepção é a capacidade que nosso corpo tem de reagir à sensação de equilíbrio, estabilidade e orientação espacial. Essas reações são efetivas devido à presença de receptores específicos que são sensíveis a alterações físicas, tais como variações na angulação de uma articulação, rotação de membros, de tronco e tensão exercida sobre um músculo.


Direcionando o treinamento funcional para um corredor, encontramos uma série de vantagens para o praticante ou atleta. Mesmo com objetivos variados e métodos de ensino diferenciados, todos praticantes passam pelos mesmos fundamentos básicos, que necessitam de um condicionamento físico adequado, coordenação motora e uma atenção especial para prevenir lesões musculares e articulares. Desta forma, com uma prescrição de treinamento correta, o praticante alcança um melhor desempenho na sua passada ou no toque de sua cadeira, desenvolve suas capacidades psicomotoras e está seguro em minimizar as incidências das lesões típicas da modalidade.


Para melhor entendimento do treinamento funcional, podemos dar como exemplo exercícios que proporcionem instabilidade na execução do movimento natural, fazendo com que o aluno faça uma reestruturação corporal para vencer esta instabilidade e executar o exercício com precisão.


Para o corredor, e na maioria das modalidades esportivas, encontramos uma preocupação muito grande nas técnicas de execução dos fundamentos e esquecemos a base de formação corporal que está realizando esses movimentos e o desequilíbrio estrutural que esses fundamentos podem desenvolver. Isto é verdadeiro principalmente quando preparamos atletas com alguma limitação física como, por exemplo, amputados, atletas com seqüelas de pólio ou com lesão medular. Cada um possui características próprias da sua limitação, que abrangem a hidratação, tipos de fibras musculares e articulações envolvidas e o treinamento adequado deve levar em conta suas características próprias pessoais. Um atleta nunca é igual ao outro.


Desta forma, o princípio da especificidade deve estar presente em todos os estágios do treinamento. O treino será dirigido com um objetivo final, seguindo um programa de treino e respeitando as características pessoais de cada atleta ou aluno.


É importante lembrar que, para alcançar um bom desempenho com uma preparação física adequada, deve-se procurar profissionais qualificados e preparados para conduzir as seções de treino.



Prof. Tiago Gorgatti, Dr. Márcia Greguol Gorgatti

 

Treinamento Funcional